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Archive for novembro \27\UTC 2011

Na última terça-feira (22/11) algo muito positivo ocorreu: o Inep divulgou os microdados da Prova Brasil 2009. A partir desse dados, que contêm além dos resultados nas avaliações as respostas de alunos, professores e diretores a questionários aplicados, é possível fazer vários diagnósticos e análises sobre os sistemas educacionais do país.

Ouvi recentemente uma entrevista de Marguerite Jackson, diretora do EQAO (agência do governo de Ontário no Canadá responsável pelas avaliações externas da província canadense), na qual ela dizia que um dos desafios que eles tinham era diminuir o tempo de entrega dos resultados, que demora cerca de nove semanas. Pois é, se eles estão descontentes por fornecerem os resultados após pouco mais de dois meses da data de realização da avaliação externa como será que estariam se sentindo se entregassem os resultados após dois anos?

A questão cultural é algo chave e talvez seja uma das dificuldades para que avancemos em Educação. O EQAO (Education Quality and Accountability Office), que é como o Inep de Ontário, talvez receba em relação aos seus documentos mais críticas do que o próprio Inep. Isso pois o rigor de cobrança é outro, já que segundo pesquisa de 2010 cerca de 95% dos diretores de escolas de Ensino Fundamental de Ontário utilizam os resultados para identificar as áreas fortes e áreas de melhoria em programas de leitura, escrita e matemática, e para orientar iniciativas de melhoria geral da escola.

Talvez devemos refletir por que não temos esse tipo de cobrança aqui, pois com todo respeito ao Inep e a seus profissionais (há de fato algumas pessoas muito boas que trabalham no instituto) a qualidade das divulgações do Enem e da Prova Brasil são inadmissíveis! Dado o investimento nessas avaliações deve-se, no mínimo, conjuntamente a divulgações dos resultados haver uma devolutiva com relatórios que apontem o que foi diagnosticado com as provas.

Assim como há a necessidade de um maior rigor dentro do Inep pesquisadores em Educação devem ser cobrados em relação a análises com esses números. E é necessário não apenas que esses pesquisadores façam papers científicos, mas que busquem também com seus conhecimentos auxiliarem políticas públicas e na interpretação dos resultados obtidos.

Depois de longa espera os microdados estão aí, a pergunta que fica é: o que faremos com eles?

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