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Archive for the ‘Lições em Educação’ Category

Final de ano é sempre um momento para pensar e fazer promessas para o ano seguinte. E que promessas podemos fazer pensando na melhoria da educação no Brasil? Uma boa é se importar com os educadores.

Talvez não faltem pessoas que queiram melhorar a educação no Brasil, mas faltam pessoas que se importam, têm zelo e escutam genuinamente quem quer e está contribuindo para garantir o aprendizado dos alunos.

Nós, da Fundação Lemann, recebemos há duas semanas 11 educadores que trabalham em escolas / redes com resultados de destaque e que atendem alunos provenientes de famílias com baixa renda. Dentro desse seleto grupo, alguns educadores disseram que ainda são poucos os momentos em que se sentem ouvidos. O cenário é até diferente nas escolas em que atuam, mas a sociedade em que vivemos, os nossos veículos de comunicação e a estrutura do nosso sistema educacional parecem que ainda dão pouca voz aos bons educadores do país.

Vivemos, infelizmente, em uma sociedade em que precisamos contar com a ajuda de cantores e atores bem dispostos para defender e mobilizar para causas da educação, e que há pouco espaço para que grandes educadores mobilizem para que se veja bons filmes, se ouça boas letras de música ou se leia bons textos.

Mas esse não é um texto para falar da importância de valorizar educadores. Há um passo anterior que, infelizmente, precisa ser dado. Só pode valorizar devidamente educadores quem os ouve e vê e conhece o trabalho deles. Só é possível valorizar devidamente quando se conhece os desafios de educar crianças e jovens e se sabe que no meio deles um educador, como qualquer outro profissional, merece boas condições de trabalho e ser reconhecido.

Talvez o passo que podemos dar como sociedade em 2016 é nos importarmos. Ouvirmos de forma genuína os educadores, olharmos para as suas práticas e procurarmos conhecer os desafios das escolas. A minha promessa para 2016 é me importar e ajudar a fazer com que muitos se importem, é o mínimo. É não ficar no escritório alheio ao que acontece na escola, é buscar aprender para aí poder ajudar. E posso dizer que quanto mais eu busco me importar de forma atenta com os educadores, conheço os desafios, mais eu os valorizo. O que fazem é gigantesco.

E você? O que pretende fazer pela educação no Brasil em 2016?

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Hoje, dia 4 de setembro, é lançado o estudo quantitativo da pesquisa Excelência com Equidade, desenvolvida pela Fundação Lemann com apoio do Itaú BBA. O trabalho buscou analisar o que 215 escolas que conseguiram ótimos resultados com alunos de baixo nível socioeconômico apresentam como diferenciais, de acordo com modelos estatísticos feitos a partir de dados da Prova Brasil e do Censo Escolar.

O relatório completo da pesquisa, com os resultados do relatório qualitativo divulgado em dezembro de 2012 e do quantitativo divulgado agora, podem ser acessados aqui: http://fundacaolemann.org.br/uploads/estudos/excelencia_com_equidade_qualitativo_e_quantitativo.pdf

Algumas análises do estudo também foram apresentadas em reportagem do jornal O Globo, da Agência Brasil, além de terem sido repercutidas no editorial do jornal O Estado de S. Paulo do último domingo, dia 31 de agosto.

O estudo qualitativo da pesquisa nos permitiu identificar as práticas e estratégias comuns das escolas que passaram pelos critérios, enquanto o estudo quantitativo procurou mapear as características dessas 215 unidades que podem explicar o sucesso e as ações que conseguiram implementar. Listo abaixo as principais conclusões do estudo.

 

O quê? — Quatro práticas comuns às escolas que conseguem garantir o aprendizado de todos os alunos

  • Definir metas e ter claro o que se quer alcançar
  • Acompanhar de perto – e continuamente – o aprendizado dos alunos
  • Usar dados sobre o aprendizado para embasar ações pedagógicas
  • Fazer da escola um ambiente agradável e propício ao aprendizado

 

Como? — Quatro estratégias-chave usadas por escolas que obtiveram sucesso ao implementar mudanças

  • Criar um fluxo aberto e transparente de comunicação
  • Respeitar a experiência do professor e apoiá-lo em seu trabalho
  • Enfrentar resistências com o apoio de grupos comprometidos
  • Ganhar o apoio de atores de fora da escola

 

Evidências do estudo quantitativo — Quatro características que ilustram o porquê do sucesso das 215 escolas

  • Integram uma rede de ensino que oferece condições e apoio para que as mudanças aconteçam
  • Gestão dos recursos com foco na garantia das condições de aprendizagem
  • Possuem boas condições para o ensino e procuram garantir um bom clima escolar para mantê-las
  • Contam com uma gestão escolar focada na aprendizagem dos alunos e se apropriam dos recursos e das condições escolares em favor do ensino

 

Todos esses pontos são discutidos no relatório da pesquisa, com seus devidos dados e informações.

Agora, com a finalização do estudo, vamos compartilhar os resultados com gestores e educadores em workshops e seminários e discutir as suas aplicações. Você é educador ou gestor e também tem histórias de sucesso para contar? Conte nos comentários a sua história! A Fundação Lemann premiará os melhores depoimentos com a versão impressa da pesquisa.

 

Veja também o post sobre o estudo qualitativo: https://estudandoeducacao.com/2013/01/09/excelencia-com-equidade

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No final de 2012, a Fundação Lemann e o Itaú BBA lançaram o estudo Excelência com Equidade: as lições das escolas brasileiras que oferecem educação de qualidade a alunos de baixo nível socioeconômico. O estudo investiga as características comuns e as lições que podemos aprender com escolas que, mesmo em condições adversas, conseguem garantir o aprendizado de todos os alunos.

Para selecionar as escolas pesquisadas, em cada região do país, filtramos as que atendem alunos de mais baixo nível socioeconômico. Um segundo filtro foi aplicado para verificar, entre estas escolas, aquelas em que pelo menos 70% dos alunos fizeram a Prova Brasil, que tinham um Ideb maior ou igual a 6 e pelo menos 70% dos alunos no nível adequado de proficiência e no máximo 5% dos alunos no nível insuficiente, de acordo com a interpretação da escala Saeb utilizada por muitos especialistas. Finalmente, foi verificado se os resultados eram consistentes, ou seja, se o Ideb e os dados de aprendizado evoluíram de 2007 para 2009 e também de 2009 para 2011. Os cruzamentos resultaram em um grupo de 215 escolas, entre as quais seis foram escolhidas para o relatório qualitativo.

Matéria publicada hoje, dia 7, no jornal O Estado de S. Paulo, discute os achados da pesquisa. O estudo já está no site da Fundação Lemann e pode ser acessado aqui.

O estudo mostra que tão importante quanto as medidas e ações adotadas pela secretária e pelas escolas é a estratégia adotada para que essas políticas possam ter bons resultados. Em oito itens do trabalho são discutidos além de práticas as estratégias comuns das seis escolas visitadas.

Todas essas escolas conseguiram avanços significativos em quatro anos. Esse cenário indica caminhos para que, mesmo com as dificuldades, uma escola consiga que todos os alunos aprendam.

Ao longo do ano serão lançados vídeos e novos relatórios de pesquisa, como, por exemplo, um estudo quantitativo dos diferenciais das 215 escolas do Brasil que oferecem educação de qualidade a alunos de baixo nível socioeconômico de acordo com a pesquisa. Leiam o relatório e aguardem as novas análises!

*Publicado originalmente no blog da Fundação Lemann.

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* Artigo publicado no site da revista Nova Escola

O investimento em Educação no Brasil tem sido um dos temas mais debatidos na área nos últimos meses. Alguns estudos apontam que não há uma evidente relação entre gastos e resultados em educação, no entanto, essa relação depende do nível de investimento. Simon Schwartzman colocou muito bem em seu blog que “o dinheiro faz muita diferença quando os recursos são muito poucos, e as escolas mal podem funcionar”.

Talvez alguns problemas em alguns estudos devem-se ao fato de o Brasil ser tão grande e populoso, e com uma diversidade de escolas muito grande, que eles não se atentam ao fato de que existem sim no Brasil muitas escolas que estão em condições extremamente precárias e que “mal conseguem funcionar”.

Dados do Censo Escolar 2010 mostram que em alguns estados um percentual considerável de escolas apresenta condições de infraestrutura muito ruins. A inexistência de energia elétrica, rede de esgoto e abastecimento de água são situações não tão raras em escolas localizadas em zonas rurais. Já mesmo em áreas urbanas verificam-se muitas escolas sem biblioteca e internet. Respostas dos professores das turmas avaliadas na Prova Brasil também apontam problemas de depredação e de más condições nas salas de aula. Cerca de um quarto dos professores do Amapá que responderam ao questionário, por exemplo, afirmaram que as condições das salas de aula são ruins.

Sobre esses números são necessárias algumas considerações. A inexistência de energia elétrica, rede de esgoto ou abastecimento de água são questões que extrapolam a escola, são questões de infraestrutura básica de localidades. Esses problemas aparecem de forma mais significativa em áreas rurais (principalmente nas regiões Norte e Nordeste) e para que sejam resolvidos há de haver um investimento considerável nessas regiões (e um esforço inter-setorial).

Por outro lado, os problemas dessas regiões e o nível de investimento que é necessário para resolvê-los não pode ser uma justificativa para que os alunos que frequentam escolas nessas localidades tenham menos chance de obter um aprendizado adequado. Em locais que já não têm energia elétrica e que os pais possuem baixa escolaridade não poderia haver uma escola que não tivesse biblioteca, por exemplo. Uma alta qualificação dos professores também é ainda mais essencial nessas escolas.

É sabido que as regiões Norte e Nordeste e as áreas rurais como um todo apresentam diversos indicadores educacionais mais desfavoráveis: os alunos possuem menos insumos educacionais em casa, os professores conseguem cumprir um menor percentual do conteúdo previsto, etc. Isso resulta em um péssimo cenário: poucos alunos aprendendo. Se olharmos o investimento por aluno no Norte e no Nordeste veremos um quadro que não parece ajudar para que a desigualdade dessas regiões em relação às outras do país diminua. Os estados com um menor investimento por aluno se encontram nessas regiões (ver números aqui).

Embora por meio do Fundeb já exista um auxílio a alguns estados que apresentem um investimento por aluno muito baixo, são necessárias iniciativas mais focadas em buscar garantir com que todos os alunos, independentemente de onde morem, tenham condições similares de obter um aprendizado adequado. Esse problema não ocorre apenas entre regiões, pois em um mesmo município situações de inequidade também aparecem de forma gritante. Países como o Chile (incentivos financeiros para professores que atuam em difíceis condições de trabalho), a Irlanda (relação aluno-professor reduzida nas escolas primárias localizadas em áreas urbanas com mais desvantagem e bônus com base no nível de desvantagem da escola) e a Bélgica (apoio a escolas de alunos de classe socioeconômica mais baixa) se mostram mais atentos à questão da equidade. Não é nenhum equívoco dizer que já passou da hora de o Brasil estudar as políticas desses países para construir suas próprias políticas que promovam a equidade.

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Terminando a apresentação da opinião dos especialistas consultados no Estudando Nº 02, Lições em Educação: Parte I – Pré-escola e fluxo escolar adequado, sobre lições em Educação seguem abaixo as respostas do sociólogo Simon Schwartzman às duas perguntas feitas pelo Estudando Educação (“Quais as diferenças entre o Brasil e os países desenvolvidos em relação à Educação?” e “Quais as lições que o Brasil pode tirar dos países que se destacam na Educação, e o que o nosso país pode fazer para garantir aprendizado a todos, independentemente da condição social do aluno?”):

Os países que têm melhor Educação são mais ricos, os pais têm maior escolaridade e apoiam os estudos de seus filhos, os governos e as famílias gastam mais por estudante, os professores têm melhor formação, os alunos ficam mais tempo nas escolas, etc. Nos países mais pobres, essas coisas não ocorrem. As lições que podemos tirar dos paises com melhor Educação têm a ver com a importância de selecionar melhor os professores, gerir bem as escolas, colocar os alunos em tempo integral nas escolas, preparar bem os materiais curriculares, aumentar os investimentos, etc. Nada disso garante que todos terão a mesma Educação e os mesmos resultados, independentemente da condição social das famílias, mas um bom sistema escolar pode reduzir em certa medida as diferenças.

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Continuando a apresentação da opinião dos especialistas consultados no Estudando Nº 02, Lições em Educação: Parte I – Pré-escola e fluxo escolar adequado, sobre lições em Educação apresento a posição do especialista em avaliações educacionais Ruben Klein. Assim como para Guiomar, foram feitas duas perguntas a Ruben: Quais as diferenças entre o Brasil e os países desenvolvidos em relação à Educação? Quais as lições que o Brasil pode tirar dos países que se destacam na Educação, e o que o nosso país pode fazer para garantir aprendizado a todos, independentemente da condição social do aluno?

Em primeiro lugar, acho que é importante considerar a história e a importância que os países deram e dão à Educação. No Brasil, até recentemente a Educação era para poucos. O conceito de que deve ser para todos é recente e o de ter qualidade, mais recente ainda. Em contrapartida, os países desenvolvidos têm certa tradição da importância da Educação de qualidade para todos, e os recentemente desenvolvidos passaram a ter essa percepção. A atitude e a percepção da sociedade também são importantes.

Acho que o Brasil pode aprender com os estudos que mostram o que dá certo e funciona nos países desenvolvidos e adaptar para o nosso país. Acho que os estudos mostram a importância da qualidade do professor e de seu recrutamento. Os países asiáticos mostram isso claramente. A condição social e, talvez mais importante, a condição cultural e a atitude em relação ao aprendizado são cruciais, como pode ser visto nos Estados Unidos. Mas mesmo lá, há esforços que dão certo. Na Ásia também. É preciso professores bem qualificados e motivados, bom material didático, acompanhamento constante dos alunos com atividades de reforço, quando necessário, e bom uso do tempo de aula. Educação Infantil de qualidade pode ajudar muito. E uma duração mínima de horas de aula por dia. Acho que é preciso ver o que funciona no equivalente ao Ensino Médio.

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O Estudando Nº 02, Lições em Educação: Parte I – Pré-escola e fluxo escolar adequado, apresenta a seguinte pergunta: Quais as diferenças entre o Brasil e os países desenvolvidos em relação à Educação? Quais as lições que o Brasil pode tirar dos países que se destacam na Educação, e o que o nosso país pode fazer para garantir aprendizado a todos, independentemente da condição social do aluno?

Apresentarei em posts as respostas dos três especialistas consultados. Começo pela resposta da educadora Guiomar Namo de Mello, que apresenta uma abordagem histórica muito interessante para a análise. Abaixo três parágrafos da análise de Guiomar (para ler a análise completa da especialista clique aqui):

O que marca a diferença entre o Brasil e outros países, não só os desenvolvidos, é a desigualdade que sempre existiu em nosso sistema educacional.

Os países da Europa possuem uma cidadania mais madura e pró-ativa, nos quais o valor da Educação se construiu juntamente com os valores da democracia. A seriedade com que a Educação é vista corresponde à prioridade que lhe confere a sociedade, o que faz contraste com o Brasil quando se constata o modo de formular e executar políticas educacionais entre nós. Quando, há pelo menos três décadas, esses países tiveram que promover reformas profundas em seus sistemas de ensino para responder às demandas da revolução tecnológica e da globalização econômica, essas reformas se deram sobre um sistema educacional já consolidado. Além disso, a maioria dos países desenvolvidos na Europa são muito mais homogêneos que o Brasil.

Nossas diferenças com os países asiáticos também são de grande relevância, porque, aqui como no ocidente em geral, a ética do esforço e da disciplina não prospera da mesma maneira que prospera na China, na Coreia do Sul, na Malásia e em Cingapura. O imenso valor que as famílias atribuem à escolarização de seus filhos e a fortíssima associação entre sucesso escolar e prestígio social respondem em grande parte pelo milagre que esses países obtiveram em Educação. A essa ética, é claro, correspondem também políticas educacionais que priorizam financiamentos e têm foco no desempenho do aluno.

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