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Archive for the ‘Violência nas escolas’ Category

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Hoje, dia 4 de setembro, é lançado o estudo quantitativo da pesquisa Excelência com Equidade, desenvolvida pela Fundação Lemann com apoio do Itaú BBA. O trabalho buscou analisar o que 215 escolas que conseguiram ótimos resultados com alunos de baixo nível socioeconômico apresentam como diferenciais, de acordo com modelos estatísticos feitos a partir de dados da Prova Brasil e do Censo Escolar.

O relatório completo da pesquisa, com os resultados do relatório qualitativo divulgado em dezembro de 2012 e do quantitativo divulgado agora, podem ser acessados aqui: http://fundacaolemann.org.br/uploads/estudos/excelencia_com_equidade_qualitativo_e_quantitativo.pdf

Algumas análises do estudo também foram apresentadas em reportagem do jornal O Globo, da Agência Brasil, além de terem sido repercutidas no editorial do jornal O Estado de S. Paulo do último domingo, dia 31 de agosto.

O estudo qualitativo da pesquisa nos permitiu identificar as práticas e estratégias comuns das escolas que passaram pelos critérios, enquanto o estudo quantitativo procurou mapear as características dessas 215 unidades que podem explicar o sucesso e as ações que conseguiram implementar. Listo abaixo as principais conclusões do estudo.

 

O quê? — Quatro práticas comuns às escolas que conseguem garantir o aprendizado de todos os alunos

  • Definir metas e ter claro o que se quer alcançar
  • Acompanhar de perto – e continuamente – o aprendizado dos alunos
  • Usar dados sobre o aprendizado para embasar ações pedagógicas
  • Fazer da escola um ambiente agradável e propício ao aprendizado

 

Como? — Quatro estratégias-chave usadas por escolas que obtiveram sucesso ao implementar mudanças

  • Criar um fluxo aberto e transparente de comunicação
  • Respeitar a experiência do professor e apoiá-lo em seu trabalho
  • Enfrentar resistências com o apoio de grupos comprometidos
  • Ganhar o apoio de atores de fora da escola

 

Evidências do estudo quantitativo — Quatro características que ilustram o porquê do sucesso das 215 escolas

  • Integram uma rede de ensino que oferece condições e apoio para que as mudanças aconteçam
  • Gestão dos recursos com foco na garantia das condições de aprendizagem
  • Possuem boas condições para o ensino e procuram garantir um bom clima escolar para mantê-las
  • Contam com uma gestão escolar focada na aprendizagem dos alunos e se apropriam dos recursos e das condições escolares em favor do ensino

 

Todos esses pontos são discutidos no relatório da pesquisa, com seus devidos dados e informações.

Agora, com a finalização do estudo, vamos compartilhar os resultados com gestores e educadores em workshops e seminários e discutir as suas aplicações. Você é educador ou gestor e também tem histórias de sucesso para contar? Conte nos comentários a sua história! A Fundação Lemann premiará os melhores depoimentos com a versão impressa da pesquisa.

 

Veja também o post sobre o estudo qualitativo: https://estudandoeducacao.com/2013/01/09/excelencia-com-equidade
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Amanhã, a tragédia de Realengo completará um mês e o UOL repercute hoje a presença de armas de fogo em estabelecimentos de ensino com base nas respostas de diretores escolares em questionários enviados juntamente com a Prova Brasil 2007. Para a matéria, respondi algumas perguntas e quero compartilhar a minha opinião sobre três pontos:

  • 3% dos diretores disseram que fez parte do cotidiano “alguém da comunidade escolar portando arma de fogo”. Esse percentual é alto?

Primeiramente, é importante considerarmos que a escola faz parte de um todo maior. Qual o percentual da população, por exemplo, que responderia que fazem parte do cotidiano membros da vizinhança portando arma de fogo? Existem algumas pesquisas, conhecidas como pesquisas de vitimização, que abordam aspectos como esse, estimam os indicadores de criminalidade – algo importante, pois muitas pessoas não notificam o crime sofrido –, identificam a percepção da criminalidade, como ela impacta o dia a dia da população, entre outros aspectos.

Infelizmente, não desenvolvemos em grande escala esse tipo de pesquisa. Há iniciativas locais, como as do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG,em Belo Horizonte, e do Centro de Políticas Públicas do Insper,em São Paulo. Mas o que as poucas pesquisas feitas no Brasil sobre violência mostram é que a violência faz parte do cotidiano do brasileiro. Os dados de São Paulo, por exemplo, mostram que cerca de 10% da população costuma ver frequentemente pessoas, que não são policiais, armadas pela vizinhança. Esse contexto nos mostra que não é simples isolar a escola dos problemas de violência.

Respondendo à pergunta, esse dado me traz uma preocupação por causa da palavra “cotidiano”, pois ela revela uma certa impotência da escola. O diretor vê frequentemente membros da comunidade escolar portando arma de fogo, provavelmente, muitos menores de idade, e, mesmo a escola identificando isso como um sério problema, não consegue combater essa dificuldade. Há um trecho muito interessante de um estudo elaborado por Miriam Abramoway e Maria das Graças Rua em 2002:

Algumas opiniões de professores de escolas públicas demonstraram as suas limitações ao se tentar coibir a entrada de alunos armados. Eles comentaram que o Conselho Tutelar proíbe que as escolas tomem qualquer atitude quando deparam com um aluno armado. O máximo que se pode fazer é passar esse problema para o Conselho avaliar e tomar as devidas providências (Violência nas Escolas, Abramoway e Rua, 2002).

Isso é algo muito preocupante e, mesmo tendo passado quase dez anos, coibir a entrada de armas em algumas escolas é um desafio. O porte indevido de armas de fogo corresponde a uma séria ameaça à vida, e essa situação não pode ser cotidiana em um estabelecimento de ensino.

  • Detectores de metais

Em minha opinião, colocar detectores de metais nas escolas não é uma boa proposta. Acredito que, quando pensamos em uma política como essa, temos que analisar o que desejamos com ela. Se o desejo é evitar tragédias, como a ocorrida em Realengo, a proposta não é adequada. O caso de Realengo é um caso isolado. Wellington poderia muito bem ter atirado contra os membros da comunidade escolar quando estes fossem sair da escola. Não há como tirar a escola do contexto de violência presente no país. Infelizmente, em praticamente todos os ambientes públicos, estamos sujeitos a atos de violência. O grande problema é de segurança pública.

Podemos, por outro lado, supor a instalação de detectores como uma medida para minimizar a probabilidade de ocorrerem crimes com a utilização de armas de fogo nas escolas. No entanto, uma simples análise de custo-benefício parece mostrar como essa medida não é adequada. Em primeiro lugar, qual a mensagem que passaríamos com a adoção de detectores? Acredito que a escola já deveria ser vista como um ambiente no qual é inadmissível o porte de armas de fogo por membros da comunidade escolar. Parece clara também a grande dificuldade de tornar viável uma política como essa. Como fazer para que não existam filas gigantescas na entrada das crianças nas escolas?

Outro ponto é que estaríamos investindo recursos sem a certeza de sua eficácia, sendo que o dinheiro poderia ser aplicado em práticas que auxiliassem o aprendizado do aluno.

  • A presença de armas de fogo nas escolas em outros países

Paula Louzano, no programa Missão Aluno da CBN de 11 de abril, fez uma análise interessante sobre a situação do Brasil e dos Estados Unidos. Dados os indicadores de violência com armas de fogo no Brasil, as escolas brasileiras parecem estar mais blindadas da violência externa do que as escolas americanas. Entretanto, a comparação internacional é sempre complicada, pois os países possuem cenários diferentes, leis diferentes. No Brasil, talvez, a presença de uma arma de fogo pode corresponder a um aspecto de intimidação maior, por exemplo, já que as armas de fogo são comercializadas com menos facilidade do que em outros países.

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É muito difícil escrever sobre um evento como o que ocorreu hoje. Um homem de 23 anos entrou em um colégio da zona oeste do Rio de Janeiro e atirou contra os alunos, e já há a confirmação de dez mortos. O acontecimento foi em grande parte isolado, mas ele chama atenção para o problema da violência que chega às escolas. Se os estabelecimentos de ensino não fornecem segurança às crianças e jovens é difícil imaginar onde elas estarão seguras. E tenhamos claro que a falta de segurança não é um problema que ocorre apenas no Rio de Janeiro. Não é também uma questão apenas das escolas, mas sim de segurança pública.

Os dados dos questionários que os diretores escolares responderam quando a Prova Brasil 2007 foi aplicada são alarmantes. 1427 diretores responderam que é cotidiano membros da comunidade escolar portarem armas de fogo. Sim, cotidiano (clique aqui para ver as respostas por unidade da federação)! Em todas os estados há diretores que informaram essa situação.

Fica difícil dizer muito mais com dados como esse. Resta rezar pelas famílias das vítimas, alunos, professores e todos os afetados pelo triste acontecimento e que eles tenham todo o apoio necessário e força para seguirem em frente. O que não é fácil! Esperamos uma maior atenção das autoridades a esse problema e que a tragédia signifique um basta!

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